Ai de mim se não anunciar o evagenlho

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

SOBRE CORPOS ESTRANHOS INTRODUZIDOS NO CURSILHO (I)

Pe. José Gilberto Beraldo
Ao participar de um Cursilho pela primeira vez, em 1967, um dos seus impactos mais significativos para mim - naquela época sacerdote já há quase dez anos - foi o silêncio solicitado na primeira noite. Digo mal, não solicitado, mas como que imposto.
Com o passar do tempo, trabalhando em dezenas e dezenas de outros Cursilhos, é que pude dar-me conta da importância e valor do silêncio naquele exato momento. Se você for um dos responsáveis do MCC, você sabe do que estou falando.
Depois de tantos e tantos cursilhos, estou mais convencido ainda de sua absoluta necessidade. Não já como imposição, mas agora mostrando claramente sua oportunidade e necessidade. Aliás, técnicas atuais de meditação e interiorização, ainda que nada ou muito pouco tendo a ver com esta ou aquela religião, estão valorizando o silêncio e a meditação pessoal. Até empresas modernas têm introduzido a possibilidade de momentos de silêncio. E o fazem com vistas a que? A que os funcionários reencontrem seu ponto de equilíbrio para que a produção seja mais eficiente.Pois bem: o silêncio que solicitamos na primeira noite do Cursilho parece seguir uma tradição enraizada na espiritualidade espanhola, a dos Exercícios Espirituais de Santo Inácio de Loyola. Parece que os iniciadores do MCC adotaram essa tradição que visa a mostrar aos cursilhistas seus benefícios, estando no contexto do clima que desejamos criar durante todo o tempo de duração do próprio Cursilho. Ao sugerir que “nos afastemos do mundo” (agora prevendo, também, os sinais sonoros ou vibratórios dos telefones celulares...) pretendemos dizer que qualquer interferência externa oderia ser prejudicial num tão raro e importante momento na vida de uma pessoa. Que é, sem dúvida, o momento do discernimento sobre sua opção de vida e sobre os rumos que ela deverá tomar daí para a frente. Tudo o que vier de fora, neste precioso “intervalo” na vida cotidiana do cursilhista, será, portanto, uma intromissão indébita. Virá interferir nas decisões e projetos de vida do cursilhista. Virá, como costumamos dizer, “quebrar o silêncio”, tradicionalmente ligado ao canto do de Colores logo na manhã do primeiro dia. Não o silêncio de boca, mas o grande silêncio da oportunidade que lhe é oferecida.
Num dos documentos referenciais do MCC lê-se que “o retiro da primeira noite (= silêncio) é uma amada... à autenticidade reflexiva e sincera, diante da realidade de Deus, Pai do filho pródigo, que está se proximando de nós... e nos contempla. Não é outra coisa senão atualizar o costume e a atitude do Senhor que, antes dos grandes acontecimentos de sua vida apostólica, se retirava e se preparava, durante a noite, nosilêncio e na oração.... o fim do retiro é predispor (o cursilhista) ao chamamento de Deus, despertando uma atitude de busca e procurando que esta inquietação seja sadia, reta sincera e esperançosa” (Cf “Ideário” p.83). Ora, naturalmente pode-se deduzir que tal atitude será apropriada para durante toda a duração do Cursilho.
Neste contexto é que entra a introdução de alguns corpos alheios ao Cursilho e, por isso, extremamente prejudiciais ao cursilhista. Um desses “corpos estranhos” são as tais “mensagens”, cartas, cartões, bilhetinhos e outros recados coletados entre familiares e amigos.
Provenientes do antigo costume de ler-se as “alavancas”, foram estas, pouco a pouco, sendo entregues nas mãos dos participantes. Daí à entrega de bilhetes, de cartas e de “mensagens” cujos conteúdos mais apelam à emotividade forçada do que favorecem uma parada consciente do participante, foi um passo. Tem-se conhecimento de certo GED que permite, a certa altura do Cursilho, a entrada de uma pessoa fantasiada de carteiro que despeja, diante dos cursilhistas atônitos e “emocionados” um saco de correspondência que traz às costas (acredite se quiser...). Acrescente-se que outros movimentos, alguns até originados de nossos Cursilhos, levaram tal iniciativa ao exagero tentando introduzi-la na origem. De forma que, em certos Cursilhos, enquanto alguns recebem uma verdadeira enxurrada de mensagens, outros ficam “esquecidos”... Esse é um dos aspectos nocivos dessa “invenção” estranha à dinâmica do Cursilho. O outro, pior talvez e mais grave, está na introdução de elementos que em nada ou em muito pouco ajudam a opção e o sério compromisso de conversão do cursilhista.
Opção e compromisso que ele deveria assumir, só ele mergulhado no silêncio de seu  coração, de sua mente e de todo o seu ser diante da misericórdia e do infinito amor de Deus. Dê-se-lhe, por favor, um tempo! Deixemo-lo, pelo menos por algumas horas, dono de suas próprias decisões! O homem e a mulher desta nossa tão controvertida pós-modernidade têm necessidade de um pouco de solidão e de interiorização.
Ofereçamos um presente original a esses homens e a essas mulheres que estão participando de um Cursilho. Ofereçamos a eles o grande, imenso, oportuno e precioso presente do nosso silêncio solidário abstendo-nos de tais interferências. Deixemo-los, finalmente, a sós com Deus! Pelo menos nestes três dias que podem ser decisivos!
Amanhã, tenho certeza absoluta, eles e elas haverão de nos agradecer!
http://www.cursilho.org.br/

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

SOBRE CORPOS ESTRANHOS INTRODUZIDOS NO CURSILHO (II)

Pe. José Gilberto Beraldo

Tenho chamado de “corpos estranhos” tudo o que veio sendo introduzido nos três dias do Cursilho à revelia dos seus objetivos e dos meios para alcançá-los. Assim, no primeiro artigo desta série, tratei de analisar a inoportunidade das tais mensagens entregues aos montes aos participantes do Cursilho, bem como a interferência indébita das mesmas num momento tão delicado e íntimo, momento de decisão pessoal e intransferível pelo qual está passando o cursilhista.
Nesse mesmo contexto, levanto outra indagação, agora sobre o assim chamado “folclore” (termo, a meu ver, inteiramente desfocado no caso dos Cursilhos). Por que cantar durante o Cursilho? No que consiste, para o cristão, a verdadeira alegria? Continuam ainda alguns a crer que o canto deveria ir aumentando de intensidade de seus decibéis à medida em que progridem os três dias... Isso teria por objetivo contribuir para aumentar o “entusiasmo” e a “alegria”, até chegar a uma espécie de êxtase na noite do terceiro dia, o que vale dizer, no Encerramento. O tom com que cursilhistas e dirigentes “bradam” o De Colores seria, dizem, o termômetro do entusiasmo, da alegria , da entrega e até da profundidade da conversão de todos. E se fosse cantado em espanhol, o poder de contágio exercido pelo De Colores seria muito maior passando a idéia aos presentes de que houve “conversão” em massa, mesmo que “cantar” não fosse o forte de todos...
Primeiro quanto ao De Colores. Ao lado de interpretações sensatas, acabou por se criarem alguns absurdos como o de considerar o De Colores o hino oficial do Movimento de Cursilhos. Aliás, sobre o De Colores assim se expressa o próprio iniciador do MCC, D. Hervás: “De Colores é o título de uma canção popular espanhola dos anos 40 que se iniciava exatamente por estas duas palavras e se tornou famosa entre os cursilhistas.
Alguns pretenderam dar-lhe a importância de um ritual, ou de um simbolismo e, até, de certa forma de expressão do estado de consciência: “De Colores” significaria “estado de graça”. Todavia essa não foi a intenção primeira. Era simplesmente uma canção popular muito em voga entre os jovens nos dias iniciais dos Cursilhos, de letra simples e até ingênua, que foi empregada como meio de descontração. E nada mais do que isso”. Até aqui D. Hervás, desmistificando o De Colores.
Afinal, para que serve o canto num Cursilho? Simplesmente e sem maiores complicações, para: a) para fixar o conteúdo da mensagem (daí porque ocorre antes ou depois dela); b) para descontrair, sem distrair; c)para conscientizar sem levar à alienação; d) para facilitar um clima de sã alegria sem excessos, muito menos, sem cair na ingenuidade ou no ridículo. Por tudo isso compreende-se a necessidade de os cantos serem pertinentes, oportunos e condizentes com as mensagens que foram ou serão proclamadas; de serem músicas e letras cujo conteúdo facilite não só a compreensão de cada uma das mensagens, como também ajude a criar clima interior propício para a conversão e o compromisso com a prática da Palavra de Deus e com as opções prioritárias de nossa Igreja Católica no Brasil. A propósito: nos “tempos fortes” de evangelização na Igreja (Campanha da Fraternidade, na Quaresma ou Advento e outros) por que não usar os respectivos cantos na celebração das Missas, nos Cursilhos?
Nessa linha, além de já podermos contar com uma série de cantos e canções bastante variada e de ótima qualidade e oportunidade (vejam-se os inúmeros exemplos contidos nas publicações de cantos pastorais), fazem-se necessárias criatividade e adaptação inteligente, nunca esquecendo da palavra de Jesus: “Nem todo aquele que me diz ‘Senhor! Senhor!’ entrará no Reino dos Céus, mas só aquele que põe em prática a vontade de meu Pai que está nos céus” (Mt 7, 21). Assim, e dando um exemplo banal, em nenhum momento do Cursilho e em nenhuma mensagem deveria existir preocupação com “a igreja que sobe ou com o céu que desce ou com anjos que voam para cima e para baixo e por todos os lados...” A Igreja foi pensada por Cristo e teve seu tempo iniciado no dia de Pentecostes para ter os pés fincados aqui na terra e estar comprometida com a História onde continua a missão libertadora e redentora do Senhor Jesus. Para isso são chamados os que desejam ser seguidores de Jesus. E, por falar nisso, é bom que a gente recorra a um documento normativo do Papa João Paulo II sobre a “missão e vocação dos leigos na Igreja e no mundo” (Christifideles Laici, 1987). Ali, num dos ‘critérios de eclesialidade’, critérios pelos quais devem pautar-se todo ‘movimento ou associação de fiéis leigos’, ensina o Papa: “...o empenho de uma presença na sociedade humana que, à luz da doutrina social da Igreja, se coloque a serviço da dignidade integral do homem. Assim, as agregações dos fiéis leigos devem converter-se em correntes vivas de participação e de solidariedade para construir condições mais justas e fraternas no seio da sociedade” (ChL 30). Nessa direção e na dos demais ‘critérios de eclesialidade’ é que deveriam ser encaminhadas, a meu ver, todas as iniciativas e toda a dinâmica dos Cursilhos, incluído aí o canto ou, se se preferir, o “folclore”.
Então, seria eu contra os assim ditos cantos de louvor e outros (sucessos de venda em CDs. etc.) e que abundam na maioria quase absoluta de encontros e reuniões de Igreja? Não, não sou contra. Sou, sim, a favor de que nos Cursilhos o canto seja adequado à mensagem ou às mensagens que se estão passando aos cursilhistas.
Estou cada dia mais convencido, depois de meu longo ministério no MCC, de que a autêntica alegria nos Cursilhos não está condicionada aos cantos por mais maravilhosos e emotivos que eles sejam. A mais autêntica, espontânea e explosiva alegria, brota, isto sim, da volta para a Casa e do encontro ou do reencontro com o Pai; do abraço apaixonado, amoroso e terno do mesmo Pai rico em misericórdia; da acolhida fraterna e solidária de uma comunidade orante e operante das coisas do Reino; do calor do Espíritodo Senhor consolando, inspirando e fortalecendo. É em momentos como esses que a emoção nascida do mistério do amor e do perdão, toma conta e invade todo o ser de homens e mulheres que se aventuram nessa jornada de volta que é o Cursilho. Ao mesmo tempo louvando e agradecendo a Deus, mantêm os pés no chão da vida, antevendo os desafios do compromisso na luta por uma sociedade fraterna, justa e solidária. Retomando e resumindo: a verdadeira alegria e emoção, nos Cursilhos, devem brotar do mistério do amor, da misericórdia e do perdão oferecidos pelas entranhas misericordiosas do Pai.
Por último, é preciso não perder de vista que nos dias que correm, está-se supervalorizando a música. Nada contra. Se esta é a marca registrada da nossa cultura, não há porque não aproveitar o momento singular – inspiração, sem dúvida, do “Espírito que sopra onde quer” (Jo 3,8) – para fazer chegar ao evangelizando a mensagem libertadora e redentora do Senhor Jesus. Entretanto, uma coisa é fazer da música e do canto um instrumento. Outra, completamente diversa, é tentar colocar nela toda a força da mensagem, arrancando emoções e lágrimas que, geralmente, esvaem-se e secam ao terminar a última nota do último canto do De Colores no último momento do Encerramento. Momento esse que, se se resumir-se puramente em lágrimas e emoções superficiais, será também o último no qual esse cursilhista vai aparecer! A longa prática dos Cursilhos está a nos lembrar tudo isso!
http://www.cursilho.org.br/

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

Setores Diocesanos

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Capela do Alto Alegre - Bahia
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NOVA FÁTIMA
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Nova Fátima - Bahia
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SANTA LUZ
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ednei_mota@hotmail.com

GAVIÃO
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ICHU
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Ichu - Bahia
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