Ai de mim se não anunciar o evagenlho

terça-feira, 5 de maio de 2015



“Com efeito, quando estávamos entre vós, demos esta regra: ‘Quem não quer trabalhar também não coma’.
Ora, temos ouvido falar que, entre vós, há alguns vivendo desordenadamente,
sem fazer nada, mas intrometendo-se em tudo.
A essas pessoas ordenamos e exortamos no Senhor Jesus Cristo
 que trabalhem tranquilamente e, assim, comam o seu próprio pão”. (2Ts 3, 10-12).

Caríssimos leitores e leitoras,

É possível que, ao se deparar com o texto paulino acima algum leitor o ache estranho ou, pelo menos, fora de lugar. Na realidade seu objetivo é motivar uma reflexão sobre uma realidade fundamental da vida humana que é o trabalho. E, por quê? Porque, ao celebrar no dia Primeiro de Maio o DIA DO TRABALHO, dele podemos encontrar algumas repercussões durante todo o mês. Sua repercussão encontra eco no dia a dia de cada homem, da cada mulher na luta cotidiana pela própria vida e pela vida dos seus e da própria sociedade.
       Desejo, pois, partilhar algumas ideias que já externei num artigo recente e que me parecem oportunas nesta ocasião na qual a Igreja propõe como modelo do trabalhador ninguém menos que o pai adotivo de Jesus, São José. São José Operário. Vamos partir de um tema abrangente para os que deixam iluminar suas vidas pela fé. Melhor, para os que querem ver a realidade com os olhos de Deus: o trabalho humano visto com os olhos de Deus. De fato, esta atitude convém aos que nEle creem e que com Seu projeto de amor querem modelar suas vidas.
Evidentemente, não é possível tratar aqui de todas as implicações sociais do trabalho e de suas consequências, a maioria das quais, de algum modo, experimentadas na própria pele por milhões de trabalhadores pelo mundo e – porque não? – aqui também no Brasil: injustiças, exploração e escravização de todos os tipos, desemprego cada vez mais acentuado, salários ainda que legais, mais absolutamente injustos e indignos, desrespeito à pessoa gerando revolta e, muitas vezes, até violência, etc..

1. Trabalho e projeto de Deus na Bíblia. Ao entregar a terra às suas primeiras criaturas humanas, o Senhor deu-lhes o poder de submetê-la (cf. Gn 3,28). É o primeiro indício da lei do trabalho. Entretanto, na raiz do peso do trabalho estão a ingratidão e a desobediência dos nossos primeiros pais. Mas é nessa mesma raiz que vamos encontrar o projeto de Deus para suas criaturas: “Comerás o pão com o suor do teu rosto, até voltares ao solo do qual foste tirado” (Gn 3, 19. Assim, percorrendo o Antigo Testamento deparamo-nos com inúmeros textos referentes ao trabalho humano, ao seu peso, mas, também, à sua dignidade e ao seu valor.  A construção do Templo de Javé, em Jerusalém, das Sinagogas, o apascentar as ovelhas nos campos e montanhas, o cultivo da terra para que produza frutos para sustento das comunidades, etc.. Tudo enobrece o trabalho do povo eleito e Deus o acompanha e encoraja enviando o tempo favorável para colheitas abundantes e suficientes para todo o povo.
2. Jesus, operário como seu pai adotivo, São José: “Não é ele o filho do carpinteiro?” (Mt 12,55; cf. Mc 6,3). Apessoa e o testemunho de vida de Jesus, sobretudo nos seus primeiros trinta anos, santificaram o trabalho de suas mãos. Além do conhecido trabalho diário em Nazaré, supõem alguns historiadores que no tempo de Jesus, devido à construção, na Palestina, de uma cidade gigantesca chamada Séphora, recrutava-se mão de obra de todas as partes e que José e Jesus também teriam ali trabalhado por algum tempo.  Seria, mais ou menos, como na construção da nossa Brasília, para onde afluíam operários recrutados de todos os cantos do país – os famosos candangos. Jesus e José poderiam ter sido como “candangos” do seu tempo. O fundamental para nós é que, trabalhando arduamente na sua carpintaria ao lado seu pai adotivo, Jesus santificou o trabalho, dele fazendo não apenas uma obrigação imprescindível para o sustento da família mas, sobretudo, um precioso meio de santificação e de testemunho de solidariedade.

3. O trabalho nos Documentos do Magistério da Igreja. Além de outros documentos, dois sobressaem pela importância e pelas orientações pastorais neles contidas. O primeiro é a Encíclica RERUM NOVARUM SOBRE A CONDIÇÃO DOS OPERÁRIOS, do Papa Leão XIII, de 15 de Maio de 1891, na qual o Papa manifesta sua preocupação tanto com as condições dos operários tratados quase como escravos como com as opressoras condições de trabalho a que eram obrigados para sobreviver, saindo de uma cultura agrícola para uma cultura totalmente nova, a da conhecida Revolução Industrial. O segundo Documento, tão importante quanto o primeiro - ou, quem sabe, até mais por sua atualidade - é a Encíclica LABOREM EXERCENS SOBRE O TRABALHO HUMANO NO 90º. ANIVERSÁRIO DA RERUM NOVARUM, do Papa São João Paulo II, de 14 de Setembro de 1981. Como motivação para a leitura de toda esta importante encíclica, reproduzo sua introdução: “É MEDIANTE O TRABALHO que o homem deve procurar-se o pão quotidiano e contribuir para o progresso contínuo das ciências e da técnica, e sobretudo para a incessante elevação cultural e moral da sociedade, na qual vive em comunidade com os próprios irmãos. E com a palavra trabalho é indicada toda a atividade realizada pelo mesmo homem, tanto manual como intelectual, independentemente das suas características e das circunstâncias, quer dizer toda a atividade humana que se pode e deve reconhecer como trabalho, no meio de toda aquela riqueza de atividades para as quais o homem tem capacidade e está predisposto pela própria natureza, em virtude da sua humanidade. Feito à imagem e semelhança do mesmo Deus no universo visível e nele estabelecido para que dominasse a terra, o homem, por isso mesmo, desde o princípio é chamado ao trabalho. O trabalho é uma das características que distinguem o homem do resto das criaturas, cuja atividade, relacionada com a manutenção da própria vida, não se pode chamar trabalho; somente o homem tem capacidade para o trabalho e somente o homem o realiza preenchendo ao mesmo tempo com ele a sua existência sobre a terra. Assim, o trabalho comporta em si uma marca particular do homem e da humanidade, a marca de uma pessoa que opera numa comunidade de pessoas; e uma tal marca determina a qualificação interior do mesmo trabalho e, em certo sentido, constitui a sua própria natureza”. Ambas as encíclicas são orientadoras originais da Doutrina Social da Igreja, sobre a qual e com frequência, tratam alguns importantes documentos da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil - CNBB.


 4. Dia 1º. De Maio, Dia de São José Operário. Visando a imprimir um sentido mais evangélico e cristão ao Dia do Trabalho e a despertar a consciência da dignidade do trabalhador, a Igreja preocupou-se em dar a esse dia a oportunidade de uma reflexão e de um conteúdo mais elevado, apresentando o modelo de operário na pessoa de São José. Pio XII o declarou patrono dos trabalhadores e o Papa São João XXIII declarou São José patrono da Igreja. É assim que, no mesmo dia 1º. de Maio a Igreja Católica celebra o Dia de São José Operário.   Estas sábias iniciativas lembram que o trabalho não deve ser tratado, apenas, como um necessário e justo meio de sobrevivência ou, ainda, de mera acumulação de bens em detrimento de tantos milhões de empobrecidos ou somente como realização pessoal e profissional, mas, sobretudo, como meio de santificação e como instrumento de construção de uma sociedade mais justa e mais solidária.  
Oração: São José Operário, rogai por todos os operários deste nosso Brasil: pelos empregados e pelos milhões de desempregados; pelos injustiçados e pelos empobrecidos pelo salário indigno bem como por suas famílias e dependentes. E iluminai os empresários e empregadores para que se deixem conduzir pelos valores do Evangelho e não pela tentação da exploração da mão de obra de seus irmãos ou pela tentação do lucro fácil à custa do suor e das lágrimas de tantos!

5. Maio, mês mariano. Maria, a serva do Senhor. Maria, a Mãe do Filho de Deus encarnado. Maria, a bendita entre todas as mulheres. Maria, a sofredora ao pé da cruz, deixando que, por amor, uma espada lhe atravessasse o coração. Maria, a servidora da santa Família. Maria, a dona de casa perfeita: lavar, cozinhar, limpar, entregar-se ao serviço do Reino... Maria, exemplo de solidariedade na visita à sua prima Isabel. Maria, Mãe de Deus, Mãe da Igreja, nossa Mãe: rogai por nós!
Com meu carinhoso abraço, irmão e amigo,

Pe.José Gilberto BERALDO
Equipe Sacerdotal GEN

sábado, 25 de abril de 2015

“Ai de mim, se eu não anunciar o Evangelho”
                                                             (1Cor 9,6)

Após algum tempo sem escrever, hoje senti um enorme desejo de colocar no papel aquilo que venho sentindo e me inquietando. Como ser Cristão no mundo de hoje?
A igreja vive um momento propício de mudança e de conversão com as atitudes do Papa Francisco, mas vejo muitas vezes uma igreja doente e sem forças para enfrentar esse desafio que nos foi imposto por Jesus Cristo e que tem sido gritado e suplicado fortemente pelo nosso Papa. Tronar-se uma Igreja em saída.
Na Alegria do Evangelho encontramos as seguinte afirmações sobre a igreja  “... é preciso sair da própria comodidade e ter  a coragem de alcançar todas as periferias que precisam da luz do evangelho... a igreja em saída é a comunidade de discípulos missionários que primeireiam, que se envolvem, que acompanham, que frutificam e festeja”. Somos chamados a missionariedade, a levar a palavra e a justiça de Deus a todas as criaturas, mas ainda preferimos ficar fechados em nossos grupos, pastorais e movimentos, defendo os nossos anseios e entendimentos.
Preferimos acalentar os corações com palavras de conforto que faz chorar e emocionar, preferimos defender ações que elevem o nosso nome e a nossa credibilidade, mas esquecemos de Ser Cristão. “ Pai, ó Pai Nosso, quando é que esse mundo será nosso?” É triste ver que essa canção é entoada com um sentimento de posse e de individualismo, é triste ver a nossa igreja dividida, é triste ver pessoas se ofendendo e causando a discórdia por defender o que quer, mas não o que Jesus Cristo quer.
A Igreja vive um clima de renovação. Mas, muitos leigos persistem em ações internas à Igreja sem um empenho pela aplicação do Evangelho na transformação da sociedade. Nós leigos somos chamados a descobrir e alimentar uma espiritualidade apropriada à nossa vocação, precisamos rejeitar a tentação de uma espiritualidade intimista e individualista, para assumir uma espiritualidade da transformação, renovando a nossa identidade no contato com a Palavra de Deus, na intimidade dos Sacramentos, na oração e na ação.
O Cristão Comprometido que nos é apresentado no Cursilho é aquele baseado em uma proposta revolucionária, com homens e mulheres ousados, dispostos a transformar o mundo com o seu testemunho, porque tem forças suficientes na graça de Deus, mastigando os “freios” da pós modernidade, libertando-se dos cabrestos que nos são impostos pela globalização e capitalismo, trilhando um caminho novo, fazendo uma história nova, exatamente nas pegadas de Jesus de Nazaré.
Os Cristãos Comprometidos devem pensar sempre como João Batista “É preciso que ele cresça e eu desapareça”. Anunciar e falar somente de Jesus, ser apenas uma voz que clama no deserto, não é suficiente, é necessário não colocar-se como exemplo a ser seguido, não exaltar a sua espiritualidade e o seu trabalho missionário, para que as pessoas o admirem. Não apresentar-se como pessoas de oração poderosa, diante da qual Deus se curva para fazer a “sua” Vontade, infelizmente muitos dos nossos irmãos preferem viver essa fantasiosa vida de cristão.
Deixemos para traz o saudosismo de uma igreja tradicional e de uma igreja espiritualizada, vamos juntos, unidos em busca da construção de uma igreja missionária, façamos do nosso lema de cristão aquilo que nos foi dito pelo Papa Francisco, “Prefiro uma Igreja acidentada, ferida e enlameada por ter saído pelas estradas, a uma Igreja enferma pelo fechamento e a comodidade de se agarrar às próprias seguranças”.
Deixemos para traz o MCC das idéias fundamentais e vamos em busca do novo pentecoste, assumindo a nossa missionariedade, tomando a iniciativa, envolvendo-se, acompanhando, frutificando e festejando como missionários as pequenas vitórias alcançadas a cada dia.
Sejamos verdadeiros Cristãos Comprometidos, para que parafraseando Paulo possamos dizer, “combati o bom combate, continuarei na missão e guardarei a fé.

Dione Cedraz Araújo Freitas
Secretária do GED Serrinha Bahia


segunda-feira, 20 de abril de 2015

GED SERRINHA REALIZA 1ª ASSEMBLEIA 2015


O Grupo Executivo Diocesano do Movimento de Cursilhos da Diocese de Serrinha, realizou ontem 19 sua primeira assembleia do ano, contando com cerca de 100 participantes a assembleia teve a presença dos representes do Grupo Executivo Regional do Nordeste III BA/SE, Adelvan e Aguinaldo. Foi feito um estudo sobre a missão dos cristãos na Igreja.
Na oportunidade foi apresentado os coordenadores para os cursilhos que serão realizados em setembro deste ano, irão coordenar Claudio Batista ( claudinho) de Coité e Suely de Nova Fátima.

sexta-feira, 13 de abril de 2012

VIDEO OFICIAL DA CAMPANHA DA FRATERNIDADE 2012

sábado, 21 de janeiro de 2012

CAMPANHA DA FRATERNIDADE 2012


Todos os anos durante o período quaresmal, tempo de conversão, a CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) realiza a Campanha da Fraternidade, que tem por objetivo despertar a solidariedade de seus fiéis e de toda a sociedade em relação a um problema concreto que envolve toda a nação, buscando uma solução para o mesmo.

REPERTÓRIO PARA OS DOMINGOS DA QUARESMA - ANO B - 2012


QUARTA-FEIRA DE CINZAS (B) 22/02/2012

- Abertura: Canto da conversão (fx 02)

- Salmo responsorial: Piedade, ó Senhor (SI 51/50) (fx 06)

- Aclamação ao evangelho: Louvor e glória a ti, Senhor (fx 10)

- Distribuição das cinzas: Converter ao Evangelho (fx 05)

- Oferendas: Eis o tempo de conversão (fx 12)

- Comunhão: Agora o tempo se cumpriu (fx 13)

Cite a fonte: www.portalkairos.net

1° - DOMINGO DA QUARESMA (B) 26/02/2012

- Abertura: Lembra, Senhor, o teu amor (fx 03)

- Salmo responsorial: Verdade e amor são os caminhos do Senhor (fx 06)

- Aclamação ao evangelho: Louvor e glória a ti, Senhor (fx 10)

- Oferendas: Eis o tempo de conversão (fx 12)

- Comunhão: Nós vivemos de toda a palavra (fx 14)

2° - DOMINGO DA QUARESMA (B) 04/03/2012

- Abertura: Lembra, Senhor, o teu amor (fx 03)

- Salmo responsorial: Andarei junto a Deus (fx 06)

- Aclamação ao evangelho: Louvor e glória a ti, Senhor (fx 10)

- Oferendas: Eis o tempo de conversão (fx 12)

- Comunhão: Este é o meu filho muito amado (fx 15)

3° - DOMINGO DA QUARESMA (B) 11/03/2012

- Abertura: Lembra, Senhor, o teu amor (fx 03)

- Salmo responsorial: Senhor, tu tens palavras (fx 06)

- Aclamação ao evangelho: Louvor e glória a ti, Senhor (fx 10)

- Oferendas: Retorna, Israel (fx 11)

- Comunhão: Destruí este templo, disse Cristo (fx 16)

4° - DOMINGO DA QUARESMA (B) 18/03/2012

- Abertura: Acolhe, ó Deus (fx 04)

- Salmo responsorial: Que se prenda minha língua (fx 08)

- Aclamação ao evangelho: Louvor e glória a ti, Senhor (fx 10)

- Oferendas: Retorna Israel (fx 11)

- Comunhão: Gloriica o Senhor, Jerusalém (fx 17)

5° - DOMINGO DA QUARESMA (B) 25/03/2012

- Abertura: Acolhe, ó Deus (fx 04)

- Salmo responsorial: Criai em mim um coração que seja puro (fx 09)

- Aclamação ao evangelho: Louvor e glória a ti, Senhor (fx 10)

- Oferendas: Retoma Israel (fx 11)

- Comunhão: Se o grão de trigo não morrer (fx 19)

DOMINGO DE RAMOS E DA PAIXÃO (B) 01/04/2012

- Abertura 1: Hosana ao Filho de Davi

- Abertura 2: Hosana e viva

- Procissão: Os filhos de hebreus

- Salmo responsorial: Meu Deus e Pai por que me abandonastes?

- Aclamação ao evangelho: Salve ó Cristo obediente

- Oferendas: O morte estás vencida

- Comunhão: Eu vim para que todos tenham, vida

- Comunhão 2: Somos todos convidados (fx 20)


Assista:



terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Divulgação ganhador Campanha Cursilhista 2011

De acordo com o resultado da loteria federal, o numero sorteado do primeiro prêmio é 47323.


E a ganhadora é do GED Uruguaiana (GER Sul III) da cidade de São Francisco de Assis, RS.

PARABENS!!!!

DECOLORES!!!

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

CARTA MCC BRASIL – JANEIRO 2012 (149ª.)

“Não temos aqui cidade permanente, mas estamos à procura da que está por vir” (Hb 13,14). “Vi, então, um novo céu e uma nova terra...” (Ap 21, 1 ssqq).“O que esperamos, de acordo com a sua promessa, são novos céus e uma nova terra, nos quais habitará a justiça” (2Pd3,13).

Meus amados leitores e leitoras, irmãos e irmãs, peregrinos que somos todos, rumo ao Reino definitivo:

As citações acima têm por objetivo provocar algumas reflexões sobre um novo ano que começa; um novo tempo da história que o Senhor nos concede e uma nova etapa de vida a ser vivida à luz da Palavra, com os pés postos nas pegadas do Senhor Jesus uma vez que “não temos aqui cidade permanente”. Ora, “não ter cidade permanente” não significa acomodação ou conformidade passiva diante da vida e do tempo, e, sim, aquele dinamismo que nos leva “à procura da que está por vir”. Ou seja, a empenhar-nos, mais do que no ano passado, na construção de “um novo céu e de uma nova terra no quais habitará a justiça”, colaborando, assim, em nossas limitações, com o “Senhor do tempo e da história”.

1. Como vivenciar o início de um novo ano? Podem-se considerar duas maneiras de vivenciar esse momento de passagem:

a) Uma que se “conforma com este mundo” (cf. Rm 12,2) que supõe preocupações com a sobrevivência, que planeja, que prevê, que esquadrinha horizontes à procura de oportunidades de todo tipo, que luta para “levar vantagem em tudo”, e que hoje não falta numa cultura de imediatismo e de relativismo de valores, condicionante que é da mentalidade das pessoas e construtora de uma sociedade consumista, egoísta e exacerbadamente individualista. Até certo ponto, claro, tudo isso é necessário enquanto se trata da busca de uma vida digna para cada um e para todos os seres humanos, respeitosa da liberdade e da crença de cada um.

b) Outra, a partir do mesmo conselho de Paulo aos Romanos: “transformai-vos, renovando vossa maneira de pensar e julgar, para que possais distinguir o que é da vontade de Deus, a saber, o que é bom, o que lhe agrada, o que é perfeito”. Aí está toda uma programação a ser executada pelos seguidores de Jesus. Quanto mais avança um tempo novo, quanto mais se aperfeiçoam as tecnologias, quanto mais se instala uma mentalidade distorcida sobre os valores que deveriam pautar nossas vidas, tanto mais se faz necessário o discernimento proposto por Paulo: renovar nossa maneira de pensar, isto é, nossa mentalidade que é a orientadora do nosso agir, para discernir, à luz da fé e dos ensinamentos evangélicos do Mestre “o que é da vontade de Deus, a saber, o que é bom, o que lhe agrada, o que é perfeito”. Árdua tarefa essa; trabalhoso processo que irá ajudar-nos a ser fiéis discípulos e irmãos uns dos outros na construção de uma sociedade justa e solidária.

O Pai espera sua resposta para uma pergunta simples e, ao mesmo tempo complexa (porque não depende somente de você...): qual das duas maneiras norteará sua vida e a vida de sua comunidade neste ano de 2012?

2. Peregrinos, discípulos missionários num tempo novo. Na visão apocalíptica e na esperança anunciada por São Pedro, sonhamos com “um novo céu e uma nova terra” como recompensa final, diante da face do Pai, pelos sofrimentos que suportamos, pelas cruzes nossas e alheias que carregamos, pelas lágrimas que derramamos: “Então ouvi uma voz forte que saia do trono e dizia: ‘Esta é a morada de Deus-com-os-homens. Ele vai morar junto deles. Eles serão o seu povo, e o próprio Deus-com-eles será seu Deus. Ele enxugará toda lágrima de seus olhos. A morte não existirá mais, e não haverá mais luto, nem grito, nem dor, porque as coisas anteriores passaram’” (Ap 21,3-4). Entretanto, mesmo alimentados e movidos por esta esperança final, somos chamados e enviados por Jesus para construirmos, já aqui neste tempo e nestas circunstâncias, uma “nova terra na qual habitará a justiça”.

Somos, portanto, desafiados pela nossa própria vocação, a partir do chamado do Pai, a enfrentar, abraçar e, assim, assumir os desafios do tempo presente. Sem saudosismos inúteis, sem métodos ultrapassados, sem expressões que já nada mais dizem aos ouvidos e, muito menos, aos corações e à vida do homem e da mulher nesta nossa cultura epocal (isto é, nem moderna, nem pós-moderna, mas ainda totalmente indefinida...): “Nenhuma comunidade deve isentar-se de entrar decididamente, com todas as forças, nos processos constantes de renovação missionária e de abandonar as ultrapassadas estruturas que já não favoreçam a transmissão da fé” (DAp 365) . Ainda no mesmo importante documento, podemos sentir uma grande preocupação dos nossos Pastores: “Constatamos o escasso acompanhamento dado aos fiéis leigos em suas tarefas de serviço à sociedade, particularmente quando assumem responsabilidades nas diversas estruturas de ordem temporal. Percebemos uma evangelização com pouco ardor e sem novos métodos e expressões, uma ênfase no ritualismo sem o conveniente caminho de formação, descuidando de outras tarefas pastorais” (DAP 100 c). Atentos à nossa missão discipular, neste início de novo ano, somos insistentemente convidados a sair da inércia, a abandonar a preguiça e a instalação no comodismo, alegando, às vezes, desculpas “indesculpáveis” bem como a pôr em prática, corajosamente, os valores do Evangelho: a fraternidade, a solidariedade, a caridade, o amor, a justiça, o perdão... Esquecendo possíveis e naturais ressentimentos e oferecendo-nos como “hóstias vivas” numa celebração incessante da própria vida e, sobretudo, buscando a unidade na caminhada de discípulos missionários, somos chamados à criatividade no campo da evangelização; a superar as frequentes atitudes de braços cruzados; a oferecer colaboração efetiva (ao invés de nos contentarmos com o famoso “apoio moral” tão ao feitio dos acomodados) no anúncio do Reino, de acordo com os carismas com que Deus nos presenteou.

3. “Anunciar ao mundo o “Logos” da Esperança”. Penso não haver nada mais oportuno e mais encorajador nesta nossa Carta de início de ano, do que terminá-la lembrando uma das mais belas expressões do Papa Bento XVI quando, na Exortação Apostólica VERBUM DOMINI, convida-nos ao anúncio do “LOGOS” – a PALAVRA – que é o próprio Jesus - da Esperança, assim, com maiúscula: “Com efeito, o que a Igreja anuncia ao mundo é o Logos da Esperança (cf. 1 Pd 3, 15); o homem precisa da «grande Esperança» para poder viver o seu próprio presente – a grande esperança que é «aquele Deus que possui um rosto humano e que nos “amou até ao fim” (Jo 13, 1)». Por isso, na sua essência, a Igreja é missionária. Não podemos guardar para nós as palavras de vida eterna, que recebemos no encontro com Jesus Cristo: são para todos, para cada homem. Cada pessoa do nosso tempo – quer o saiba quer não – tem necessidade deste anúncio. Oxalá o Senhor suscite entre os homens, como nos tempos do profeta Amós, nova fome e nova sede das palavras do Senhor (cf. Am 8, 11). A nós cabe a responsabilidade de transmitir aquilo que por nossa vez tínhamos, por graça, recebido” (VD 91).

Um 2012 de grande aumento da fé (cf. Lc 17,5), de intensa experiência de Deus na vida de cada um e de cada uma de vocês, queridos e fiéis leitores, bem como um compromisso cada dia mais profundo na sua opção de discípulo missionário, com a presença de Maria “Mãe do Verbo e Mãe da Alegria” e com todas as bênçãos de Deus, é o que lhes deseja o amigo, irmão e servidor no Cristo Jesus,


Pe.José Gilberto Beraldo
Equipe Sacerdotal do Grupo Executivo Nacional
MCC do Brasil
E-mail: jberaldo79@gmail.com

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

ORAÇÃO DE PREPARAÇÃO PARA O JUBILEU DE OURO DA PRESENÇA DO MOVIMENTO DE CURSILHOS DE CRISTANDADE NA IGREJA DO BRASIL



Senhor, neste tempo em que nos preparamos para celebrar o Jubileu de Ouro da presença do Movimento de Cursilhos de Cristandade em nosso país, queremos viver uma experiência de profunda Ação de Graças.

Agradecemos a Deus Pai que inspirou, a um grupo de sacerdotes e leigos, a peregrinação de milhares de jovens a Santiago de Compostela, fazendo assim nascer a semente, deste movimento que se tornaria verdadeira benção para a Igreja e providencial instrumento de renovação cristã na transformação evangélica dos ambientes.

Agradecemos a Deus Filho, pois, a partir do encontro pessoal com Ele e do seguimento de suas pegadas, em comunhão com aqueles que Ele instituiu como Pastores, temos buscado cumprir nossa missão, sendo fermento, sal e luz.

Agradecemos a Deus Espírito Santo que não cessa de oferecer à Igreja o dom de Pentecostes, capaz de conceder aos que o pedem, o ardor e o entusiasmo para relançar, com fidelidade e audácia, a missão transformadora deste Movimento que nos quer discípulos missionários, fiéis ao nosso carisma de formadores de pequenas comunidades de fé.

A São Paulo Apóstolo, nosso celestial Patrono e modelo, pedimos que nos inspire na tarefa de evangelizar nossa cultura, tão distanciada dos valores anunciados por Jesus, e nos ajude a mostrar a face do Mestre a todos os homens e mulheres, sobretudo aos que se distanciaram do caminho que a Ele conduz.

A Maria, Mãe da Igreja e primeira discípula missionária, pedimos que nos acolha e nos guarde em sua maternal proteção, ajudando-nos a renovar nosso compromisso de construtores do Reino. Amém.

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

PLANEJAMENTO PARA 2012.

12/02  Primeira Assembléia – N. Fatima
11/03  Escola de Mensageiro –
Santaluz
21/04  Forró
Decolores - Retirolândia
27/05  Escola de Mensageiro -
Biritinga
14 e 15/07  Retiro Espiritual - Coité
21/07  Reunião preparatória -
Retirolândia
28/07  Reunião preparatória -
Retirolândia
04/08  Reunião preparatória -
Retirolândia
11/08  Reunião preparatória -
Retirolândia
17 A 19/08  CURSILHO - Coité
24 A 26/08  CURSILHO -
Coite
01/09  Avaliação dos
Cursilhos - Retirolândia
21/10  Encontrão do MCC - Coité
24 e 25/11  Assembléia diocesana - Coité

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Pensamentos e Sonhos sobre o Brasil

1. O povo brasileiro se habituou a “enfrentar a vida” e a conseguir tudo “na luta”, quer dizer, superando dificuldades e com muito trabalho. Por que não iria “enfrentar” também o derradeiro desafio de fazer as mudanças necessárias, para criar relações mais igualitárias e acabar com a corrupção?

2. O povo brasileiro ainda não acabou de nascer. O que herdamos foi a Empresa-Brasil com uma elite escravagista e uma massa de destituídos. Mas do seio desta massa, nasceram lideranças e movimentos sociais com consciência e organização. Seu sonho? Reinventar o Brasil. O processo começou a partir de baixo e não há mais como detê-lo.

3. Apesar da pobreza e da marginalização, os pobres sabiamente inventaram caminhos de sobrevivência. Para superar esta anti-realidade, o Estado e os políticos precisam escutar e valorizar o que o povo já sabe e inventou. Só então teremos superado a divisão elites-povo e seremos uma nação una e complexa.

4. O brasileiro tem um compromisso com a esperança. É a última que morre. Por isso, tem a certeza de que Deus escreve direito por linhas tortas. A esperança é o segredo de seu otimismo, que lhe permite relativizar os dramas, dançar seu carnaval, torcer por seu time de futebol e manter acesa a utopia de que a vida é bela e que amanhã pode ser melhor.

5. O medo é inerente à vida porque “viver é perigoso” e sempre comporta riscos. Estes nos obrigam a mudar e reforçam a esperança. O que o povo mais quer, não as elites, é mudar para que a felicidade e o amor não sejam tão difíceis.

6. O oposto ao medo não é a coragem. É a fé de que as coisas podem ser diferentes e que, organizados, podemos avançar. O Brasil mostrou que não é apenas bom no carnaval e no futebol. Mas também bom na agricultura, na arquitetura, na música e na sua inesgotável alegria de viver.

7. O povo brasileiro é religioso e místico. Mais que pensar em Deus, ele sente Deus em seu cotidiano que se revela nas expressões: “graças a Deus”, “Deus lhe pague”, “fique com Deus”. Deus para ele não é um problema, mas a solução de seus problemas. Sente-se amparado por santos e santas e por bons espíritos e orixás que ancoram sua vida no meio do sofrimento.

8. Uma das características da cultura brasileira é a alegria e o sentido de humor, que ajudam aliviar as contradições sociais. Essa alegria nasce da convicção de que a vida vale mais do que qualquer coisa. Por isso deve ser celebrada com festa e diante do fracasso, manter o humor. O efeito é a leveza e o entusiasmo que tantos admiram em nós.

9. Há um casamento que ainda não foi feito no Brasil: entre o saber acadêmico e o saber popular. O saber popular nasce da experiência sofrida, dos mil jeitos de sobreviver com poucos recursos. O saber acadêmico nasce do estudo, bebendo de muitas fontes. Quando esses dois saberes se unirem, seremos invencíveis.

10. O cuidado pertence à essência de toda a vida. Sem o cuidado ela adoece e morre. Com cuidado, é protegida e dura mais. O desafio hoje é entender a política como cuidado do Brasil, de sua gente, da natureza, da educação, da saúde, da justiça. Esse cuidado é a prova de que amamos o nosso pais.

11.Uma das marcas do povo brasileiro é sua capacidade de se relacionar com todo mundo, de somar, juntar, sincretizar e sintetizar. Por isso, ele não é intolerante nem dogmático. Gosta e acolhe bem os estrangeiros. Ora, esses valores são fundamentais para uma globalização de rosto humano. Estamos mostrando que ela é possível e a estamos construindo.

12. O Brasil é a maior nação neolatina do mundo. Temos tudo para sermos também a maior civilização dos trópicos, não imperial, mas solidária com todas as nações, porque incorporou em si representantes de 60 povos que para aqui vieram. Nosso desafio é mostrar que o Brasil pode ser, de fato, um pedaço do paraíso que não se perdeu.

Autor: Leonardo Boff

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

 
São Paulo, 04 de Outubro de 2011


Caros irmãos e irmãs de caminhada

Peregrinando rumo ao Jubileu...


“Que todos juntos nos encontremos unidos na mesma fé” (cf.4,12-13)



Estamos dia a dia nos aproximando do Ano Jubilar de nosso Movimento e a cada dia se renovam nossas esperanças e alegrias, na certeza que será um ano de grandes graças e, sobretudo de um novo Pentecostes.

Caros irmãos e irmãs coordenadores de GERS e GEDS, sabemos que para que aconteça este novo Pentecoste é necessário que criemos as condições favoráveis de abertura de coração e de mente.

O grupo executivo Nacional, reunido no dia 30 de setembro, acatando a sugestão do grupo de Apoio ao GEN, sugere e mesmo pede que cada GED, até o Natal, faça um solene ato de abertura do ano jubilar, de preferência com a presença de seu bispo diocesano, abrindo assim o ano do jubileu de ouro do Mcc do Brasil.

Em nível Regional sugerimos que seja por ocasião da realização de cada Assembléia Regional em 2012.

Comunicamos, também, que a abertura do Jubileu de ouro, em nível Nacional, dar-se-á no dia 15 de novembro, em Campo Grande, por ocasião da Assembléia Nacional com presença de Dom Dimas Lara, Arcebispo Metropolitano de Campo Grande.

Na certeza de contarmos com o entusiasmo e alegria de todos, nosso fraterno abraço.


Marum Mellem Jacob Neto                 
 Coordenador Nacional
                                          
Pe. Francisco Bianchim
Assessor Nacional


sexta-feira, 7 de outubro de 2011

CARTA SETEMBRO 2011

“Contigo está a sabedoria, que conhece tuas obras, a teu lado estava quando fizestes o mundo; ela sabe o que te agrada, o que corresponde a teus mandamentos.
Envia-a do céu sagrado, manda-a do teu trono glorioso, para que esteja a meu lado e trabalhe comigo, ensinando-me o que te agrada.
Ela, que tudo sabe e compreende, me guiará prudentemente em meus empreendimentos,e me guardará com seu prestígio”... (Sb 9,9-11)


Muito amados irmãos e irmãs, discípulos e discípulas, ouvintes todos e missionários da “Palavra divina que se fez Palavra humana”:

Entre as numerosas citações de referência ao MÊS DA BÍBLIA (na Igreja do Brasil, é o mês de setembro), mês da Palavra e da Sabedoria de Deus, porque não lembrar esta - ainda que mais ou menos longa - do Livro da Sabedoria, do Primeiro Testamento que prefigura, já, o Novo? Trata-se de uma belíssima perícope do AT sobre a “sabedoria” que nada mais é do que a simbolização do Verbo do Pai, Jesus Cristo encarnado no humano, e da ação do Espírito Santo. Proponho, pois, que nestes breves parágrafos façamos uma reflexão sobre a Cristologia da Palavra do Pai[1]. O tema está desenvolvido no contexto da Primeira Parte da Verbum Domini (VD), “O Deus que fala” no sexto parágrafo, “Cristologia da Palavra” (11 a 13) cuja leitura recomendo vivamente para que todos possam situar-se sem necessidade de tornar a repetir citações.

1. A Palavra do Pai na Encarnação do Verbo. Durante alguns séculos “Deus falou com seu povo escolhido através dos profetas e a ele revelou-se como único Deus verdadeiro e vivo, com palavras e obras”. Sempre se manifestou um Deus disposto ao diálogo e ao perdão, embora parecesse um Deus distante, mais juiz do que pai. Agora, porém, na pessoa de Jesus que se encarna, envia a sua própria Palavra. Assim se expressa o Papa: “Aqui a Palavra não se exprime primariamente num discurso, em conceitos ou regras; mas vemo-nos colocados diante da própria pessoa de Jesus. A sua história, única e singular, é a palavra definitiva que Deus diz à humanidade”. E, depois destas palavras tão próprias do diálogo do Pai com a humanidade, aparecem outras profundamente significativas para nossa reflexão de cristãos, quem sabe rotineiros ou tradicionais, isto é, cristãos por costume e não por convicção: “Daqui se compreende por que motivo, «no início do ser cristão, não há uma decisão ética ou uma grande ideia, mas o encontro com um acontecimento, com uma Pessoa que dá à vida um novo horizonte e, desta forma, o rumo decisivo». A renovação deste encontro e desta consciência gera no coração dos fiéis a maravilha pela iniciativa divina, que o homem, com as suas próprias capacidades racionais e imaginação, jamais teria podido conceber”. E a chave de ouro que fecha este parágrafo deveria ser objeto de nossa mais profunda admiração: “A fé apostólica testemunha que a Palavra eterna Se fez Um de nos. A Palavra divina exprime-se verdadeiramente em palavras humanas”. Ao mesmo tempo deveria repercutir em cada um de nós uma pergunta insistente: com que atenção você costuma escutar esta Palavra para que ela repercuta no seu coração e na sua prática de vida?

2. A história humana do Verbo e a realização dos mistérios da salvação. Logo no início deste parágrafo, chama nossa atenção uma expressão carregada de significado, que foge das maneiras habituais de falar de Jesus-Palavra: “O Verbo abreviou-se”. Citando a tradição dos antigos Padres da Igreja e lembrando algumas outras passagens da Escritura (por exemplo, “O Senhor compendiou sua Palavra, abreviou-a”, Is 10,23; Rm 9,28),) a VD põem-nos diante de uma realidade que eu chamaria de comovedora: “O próprio Filho é a Palavra, é o Logos: a Palavra eterna fez-Se pequena; tão pequena que cabe numa manjedoura. Fez--Se criança, para que a Palavra possa ser compreendida por nós». Desde então a Palavra já não é apenas audível, não possui somente uma voz; agora a Palavra tem um rosto, que por isso mesmo podemos ver: Jesus de Nazaré”. E porque “comovedora”? Muito simples sua compreensão: porque, não há necessidade de ficar imaginando como seria a face de Jesus (interpretada, tantas vezes, com traços tão estranhos, como as ideias de quem a retratou!), pois é bastante ouvirmos e interiorizarmos a Palavra para saber como é Jesus. Hoje! Agora! Em mim! No meu próximo!

Em seguida a VD chega às outras maneiras que o Pai usa para manifestar o Seu Logos, a Sua Palavra e chega ao Mistério Pascal, escrito, assim, com maiúsculas, referindo-se ao mistério da cruz, ao silenciamento da Palavra: “Por fim, a missão de Jesus cumpre-se no Mistério Pascal: aqui vemo-nos colocados diante da «Palavra da cruz» (cf. 1 Cor 1, 18). O Verbo emudece, torna-se silêncio de morte, porque Se «disse» até calar, nada retendo do que nos devia comunicar. Sugestivamente os Padres da Igreja, ao contemplarem este mistério, colocam nos lábios da Mãe de Deus esta expressão: «Está sem palavra a Palavra do Pai, que fez toda a criatura que fala; sem vida estão os olhos apagados d’Aquele a cuja palavra e aceno se move tudo o que tem vida». Aqui verdadeiramente se nos comunica o amor «maior», aquele que dá a vida pelos próprios amigos (cf. Jo 15, 13)[2]. Fechando esse parágrafo, a VD sintetiza a Palavra na figura da “Luz do mundo”: “Desde o início, os cristãos tiveram consciência de que, em Cristo, a Palavra de Deus está presente como Pessoa. A Palavra de Deus é a luz verdadeira, de que o homem tem necessidade. Sim, na ressurreição, o Filho de Deus surgiu como Luz do mundo. Agora, vivendo com Ele e para Ele, podemos viver na luz”.

Pergunte-se agora, meu irmão, minha irmã: de verdade, a Palavra-Jesus-Luz tem iluminado o caminho de sua vida? Ou você se deixa invadir por outros focos que, de repente, vão-se apagando?

3. O “coração da ‘Cristologia da Palavra’”. O Mistério Pascal, conforme a VD, realiza a unidade do projeto de Deus com o Verbo encarnado. Por isso, o mesmo Mistério Pascal é posto como o “coração da Cristologia da Palavra”: “No Mistério Pascal, realizam-se «as palavras da Escritura, isto é, esta morte realizada “segundo as Escrituras” é um acontecimento que contém em si mesmo um logos, uma lógica: a morte de Cristo testemunha que a Palavra de Deus Se fez totalmente “carne”, “história” humana»....Deste modo São Paulo, transmitindo fielmente o ensinamento dos Apóstolos (cf. 1 Cor 15, 3), sublinha que a vitória de Cristo sobre a morte se verifica através da força criadora da Palavra de Deus. Esta força divina proporciona esperança e alegria: tal é, em definitivo, o conteúdo libertador da revelação pascal. Na Páscoa, Deus revela-Se a Si mesmo juntamente com a força do Amor trinitário que aniquila as forças destruidoras do mal e da morte”.

Por fim, para que meus leitores possam degustar todo o sabor delicioso tema, não resisto a não transcrever suas últimas frases: “Assim, recordando estes elementos essenciais da nossa fé, podemos contemplar a unidade profunda entre criação e nova criação e de toda a história da salvação em Cristo. Recorrendo a uma imagem, podemos comparar o universo com uma partitura, um «livro» – diria Galileu Galilei – considerando-o como «a obra de um Autor que Se exprime através da “sinfonia” da criação. Dentro desta sinfonia, a determinado ponto aparece aquilo que, em linguagem musical, se chama um “solo”, um tema confiado a um só instrumento ou a uma só voz; e é tão importante que dele depende o significado da obra inteira. Este “solo” é Jesus (…). O Filho do Homem compendia em Si mesmo a terra e o céu, a criação e o Criador, a carne e o Espírito. É o centro do universo e da história, porque n’Ele se unem sem se confundir o Autor e a sua obra».

A todos meu abraço fraterno, desejando-lhes um iluminado Mês da Bíblia- Palavra de Deus com Maria “Mater Verbi et Mater laetitae” = Mãe da Palavra e Mãe da alegria!

Pe. José Gilberto Beraldo
Equipe Sacerdotal do GEN
E-mail: beraldomilenio@uol.com.br

sábado, 20 de agosto de 2011

ASSUNÇÃO DE NOSSA MÃE






Nossa Mãe Maria está na glória. Esta é uma verdade de fé que nos produz íntima alegria. Deus quis que a Mãe de seu Filho fosse Imaculada desde a sua conceição, e que fosse assumida na glória do paraíso com corpo e alma. Maria é figura da Igreja na qual vivemos, cujo destino último é a mesma glória na qual vive Maria. Porque é cheia de graças, porque é imaculada, porque é Mãe de Deus, Maria ganhou todos os privilégios possíveis. A Senhora da glória intercede junto a seu Filho por todos os seus e pela Igreja, que é comunidade marcada de santidade, mas composta ainda de pecadores que precisam de purificação. Maria da Glória atrai os homens para o destino último que é o céu.

Fonte Ged de Estância Sergipe



sábado, 30 de julho de 2011

Carta MCC Agosto 2011 (144ª.)

“Vós todos sois o corpo de Cristo e, individualmente, sois membros desse corpo. Assim, na Igreja, Deus estabeleceu, primeiro, os apóstolos; segundo, os profetas; terceiro, os que ensinam; depois, dons diversos: milagres, cura, beneficência, administração, diversidade de línguas. Acaso todos são apóstolos? Todos são profetas? Todos ensinam? Todos fazem milagres? Todos têm dons de cura? Todos falam em línguas? Todos as interpretam? Aspirai, porém, aos dons mais elevados” (1Cor 12,27-31).

Meus sempre amados irmãos e irmãs, que formamos o corpo de Cristo, a comunidade santa e pecadora do Povo e da Família de Deus: estejam com todos vocês a graça e a paz do Senhor Jesus pela ação do Espírito Santo:

A Igreja Católica no Brasil faz do mês de agosto o Mês das Vocações. Porque, então, citar aqui essa admoestação de São Paulo aos Coríntios? Que importância têm os dons de cada um no contexto eclesial? O que têm a ver os dons do Espírito Santo com vocação? Que atitudes assumir para corresponder fielmente ao chamado do Senhor e vivê-lo em plenitude? Para responder a estas e outras eventuais perguntas a respeito do tema, proponho alguns pontos visando a uma breve reflexão.

1. Escolha, chamado e envio pelo Pai através do Filho pelo Espírito Santo. No batismo, ao sermos enxertados na própria vida divina pela graça, somos escolhidos e articulados como membros num só corpo que, como nos ensina o Apóstolo, é o corpo de Cristo, a Igreja. E, então, já se manifestam em cada um os dons do Espírito ou carismas que correspondem à vocação para a qual todos somos chamados: a vocação à santidade: “Santificai-vos e sede santos, porque eu sou santo” (Lv 11,44). E, na palavra de Jesus, ser santo é ser perfeito como o Pai: “Sede, portanto, perfeitos como o vosso Pai celeste é perfeito” (Mt 5,48). A vocação à santidade é compreendida, portanto, como uma escolha do Senhor e como um seu chamado a todos os batizados e não, unicamente, aos sacerdotes ou aos religiosos ou aos consagrados e consagradas. E aqueles mesmos carismas ou dons – como os chama São Paulo – ajudam-nos a tornar concreta nossa resposta à medida que os colocamos a serviço da comunidade humana e eclesial. E, como Deus concede os carismas - especiais, a cada um -, cada um deverá manifestá-los vivenciando a sua própria vocação. Escrevendo ao seu dileto filho espiritual e discípulo muito amado, Timóteo, São Paulo lembra que: “Deus nos salvou e nos chamou com uma vocação santa, não em atenção às nossas obras, mas por causa do seu plano salvífico e da sua graça, que nos foi dada no Cristo Jesus antes de todos os tempos” (2Tm 1,9).

2. Resposta do escolhido, vocacionado e enviado: assumir o envio. Num dos mais preciosos documentos do magistério eclesiástico do século passado, “A Evangelização no mundo contemporâneo” (EN), o Papa Paulo VI assim se expressa quanto à vocação da Igreja e de cada um dos cristãos católicos: “A Igreja sabe-o bem, ela tem consciência viva de que a palavra do Salvador, "Eu devo anunciar a Boa Nova do reino de Deus", se lhe aplica com toda a verdade. Assim, ela acrescenta de bom grado com São Paulo: “Anunciar o Evangelho não é título de glória para mim; é, antes, uma necessidade que se me impõe”... “Ái de mim, se eu não anunciar o evangelho”... "Nós queremos confirmar, uma vez mais ainda, que a tarefa de evangelizar todos os homens constitui a missão essencial da Igreja"; tarefa e missão, que as amplas e profundas mudanças da sociedade atual tornam ainda mais urgentes. Evangelizar constitui, de fato, a graça e a vocação própria da Igreja, a sua mais profunda identidade. Ela existe para evangelizar, ou seja, para pregar e ensinar, ser o canal do dom da graça, reconciliar os pecadores com Deus e perpetuar o sacrifício de Cristo na santa missa, que é o memorial da sua morte e gloriosa ressurreição” (EN 14). E o mais recente e luminoso Documento de Aparecida insiste no caráter missionário do discípulo de Jesus e o exprime já no seu lema: Discípulos missionários de Jesus Cristo para que nEle, nossos povos tenham vida”. Ora, sendo vocação e missão de toda a Igreja anunciar a Boa Notícia a toda a humanidade, para todo o católico cristão, leigo ou consagrado, para aquele no meio das duras realidades do mundo, independente de permissão ou mandato ou, até, dependência de bispos ou de sacerdotes, constitui a concretização de sua vocação laical.

3. A orientação de Jesus aos escolhidos, vocacionados e enviados. Ao enviar os seus discípulos em missão, Jesus lhes dá orientações muito claras: “Ide, antes, às ovelhas perdidas da casa de Israel!” (Mt 10,6). Vivemos num tempo no qual tantos filhos e filhas da Mãe Igreja abandonam a casa paterna, aderindo a outras crenças ou ideologias, seduzidos por propostas nem sempre condizentes com os critérios e valores anunciados por Jesus no Evangelho. E o fazem, talvez, movidos pela esperança de um sucesso imediato, ou pelas facilidades de alcançar o ter e o poder, ou em busca de sonhadas facilidades ou tentando resolver, quem sabe, problemas de ordem pessoal ou familiar... (Cf.DAp 100, letra f). Por isso, nossos Pastores, também no Documento de Aparecida (DAp), lançam um apelo urgente: “A Igreja é chamada a repensar profundamente e a relançar com fidelidade e audácia sua missão nas novas circunstâncias latino-americanas e mundiais” (DAp 11). E, mais: “Aqui está o desafio fundamental que afrontamos: mostrar a capacidade da Igreja para promover e formar discípulos e missionários que respondam á vocação recebida e comuniquem, por toda a parte, transbordando de gratidão e alegria, o dom do encontro com Jesus Cristo” (DAp14). É neste contexto que me permito deixar aqui uma pergunta, talvez incômoda: será que nós, vocacionados e enviados para as “ovelhas perdidas da casa de Israel” (refiro-me, sobretudo, a alguns Movimentos eclesiais que deveriam distinguir-se por sua missão de busca dos afastados da Igreja, como o Movimento de Cursilhos, por exemplo) não continuamos buscando, quase sempre, as mesmas ovelhas já bem protegidas e melhor nutridas no calor do redil, enquanto milhares e milhares estão lá fora, abandonadas, e morrendo de fome e frio?

4. Desafios e riscos que esperam os escolhidos, chamados e enviados em missão. Assim como os primeiros discípulos, os de hoje somos enviados a um mundo globalizado, tanto para o bem, mas, sobretudo para o mal incalculável que é o distanciamento do Deus da vida, do seu plano de amor; globalizado numa cultura de morte e destruição dos valores fundamentais da dignidade humana, da família e da convivência entre semelhantes: “Eis que vos envio como cordeiros para o meio de lobos” (Lc 10,3). E, talvez, um dos maiores e mais insidiosos desafios esteja, muito mais frequentes do que nos tempos de Jesus, naqueles que se apresentam camuflados: “Eis eu vos envio como cordeiros para o meio de lobos” (Lc 10,3). Nestas circunstâncias adversas à fé cristã, temos que pedir, com insistência e perseverança, o dom do Discernimento!

5. Atitudes que Jesus espera dos escolhidos, chamados e enviados em missão. São aquelas atitudes derivadas da opção fundamental feita pelos que são chamados, consagrados ou leigos e leigas, para trabalhar na vinha do Senhor: “De graça recebestes, de graça deveis dar! Não leveis ouro, nem prata, nem dinheiro à cintura; nem sacola para o caminho, nem duas túnicas, nem sandálias, nem bastão, pois o trabalhador tem direito a seu sustento” (Mt 10, 8-10). O seguimento nas pegadas do Mestre; a cruz abraçada com alegria; a renúncia constante e a oração perseverante constituem o mais seguro itinerário dos vocacionados para a sublime aventura evangelizadora!

6. A recompensa reservada aos escolhidos, chamados e enviados em missão. Simples assim: “Neste encontro com Cristo, queremos expressar a alegria de sermos discípulos do Senhor e de termos sido enviados com o tesouro do Evangelho” (DAp 28). E, ainda: “Conhecer a Jesus é o melhor presente que qualquer pessoa pode receber; tê-lo encontrado foi o melhor que ocorreu em nossas vidas, e fazê-lo conhecido com nossa palavra e obras é nossa alegria” (DAp 29). Alegria! Alegria” Alegria!

Concluo com a presença de Maria, a primeira escolhida, chamada e enviada: “Que (Maria) nos ensine a sair de nós mesmos no caminho de sacrifício, de amor e serviço, com o fez na visita à sua prima Isabel, para que, peregrinos a caminho, cantemos as maravilhas que Deus tem feito em nós, conforme a sua promessa” (DAp 553). A todos os meus amados, deixo-lhes um carinhoso abraço fraterno no Senhor Jesus. De todos, servidor e irmão,

Pe. José Gilberto Beraldo

Equipe Sacerdotal do GEN

domingo, 17 de julho de 2011

Crise terminal do capitalismo?

Tenho sustentado que a crise atual do capitalismo é mais que conjuntural e estrutural. É terminal. Chegou ao fim o gênio do capitalismo de sempre adapatar-se a qualquer circunstância. Estou consciente de que são poucos que representam esta tese. No entanto, duas razões me levam a esta interpretação.

A primeira é a seguinte: a crise é terminal porque todos nós, mas particularmente, o capitalismo, encostamos nos limites da Terra. Ocupamos, depredando, todo o planeta, desfazendo seu sutil equilíbrio e exaurindo excessivamente seus bens e serviços a ponto de ele não conseguir, sozinho, repor o que lhes foi sequestrado. Já nos meados do século XIX Karl Marx escreveu profeticamente que a tendência do capital ia na direção de destruir as duas fontes de sua riqueza e reprodução: a natureza e o trabalho. É o que está ocorrendo.

A natureza, efetivamente, se encontra sob grave estresse, como nunca esteve antes, pelo menos no último século, abstraindo das 15 grandes dizimações que conheceu em sua história de mais de quatro bilhões de anos. Os eventos extremos verificáveis em todas as regiões e as mudanças climáticas tendendo a um crescente aquecimento global falam em favor da tese de Marx. Como o capitalismo vai se reproduzir sem a natureza? Deu com a cara num limite intransponível.

O trabalho está sendo por ele precarizado ou prescindido. Há grande desenvolvimento sem trabalho. O aparelho produtivo informatizado e robotizado produz mais e melhor, com quase nenhum trabalho. A consequência direta é o desemprego estrutural.

Milhões nunca mais vão ingressar no mundo do trabalho, sequer no exército de reserva. O trabalho, da dependência do capital, passou à prescindência. Na Espanha o desemprego atinge 20% no geral e 40% e entre os jovens. Em Portugual 12% no pais e 30% entre os jovens. Isso significa grave crise social, assolando neste momento a Grécia. Sacrifica-se toda uma sociedade em nome de uma economia, feita não para atender as demandas humanas mas para pagar a dívida com bancos e com o sistema financeiro. Marx tem razão: o trabalho explorado já não é mais fonte de riqueza. É a máquina.

A segunda razão está ligada à crise humanitária que o capitalismo está gerando. Antes se restringia aos paises periféricos. Hoje é global e atingiu os paises centrais. Não se pode resolver a questão econômica desmontando a sociedade. As vítimas, entrelaças por novas avenidas de comunicação, resistem, se rebelam e ameaçam a ordem vigente. Mais e mais pessoas, especialmente jovens, não estão aceitando a lógica perversa da economia política capitalista: a ditadura das finanças que via mercado submete os Estados aos seus interesses e o rentitentismo dos capitais especulativos que circulam de bolsas em bolsas, auferindo ganhos sem produzir absolutamene nada a não ser mais dinheiro para seus rentistas.

Mas foi o próprio sistema do capital que criou o veneno que o pode matar: ao exigir dos trabalhadores uma formação técnica cada vez mais aprimorada para estar à altura do crescimento acelerado e de maior competitividade, involuntariamente criou pessoas que pensam. Estas, lentamente, vão descobrindo a perversidade do sistema que esfola as pessoas em nome da acumulação meramente material, que se mostra sem coração ao exigir mais e mais eficiência a ponto de levar os trabalhadores ao estresse profundo, ao desespero e, não raro, ao suicídio, como ocorre em vários países e também no Brasil.

As ruas de vários paises europeus e árabes, os “indignados” que enchem as praças de Espanha e da Grécia são manifestação de revolta contra o sistema político vigente a reboque do mercado e da lógica do capital. Os jovens espanhois gritam: “não é crise, é ladroagem”. Os ladrões estão refestelados em Wall Street, no FMI e no Banco Central Europeu, quer dizer, são os sumo-sacerdotes do capital globalizado e explorador.

Ao agravar-se a crise, crescerão as multidões, pelo mundo afora, que não aguentam mais as consequências da super-exploracão de suas vidas e da vida da Terra e se rebelam contra este sistema econômico que faz o que bem entende e que agora agoniza, não por envelhecimento, mas por força do veneno e das contradições que criou, castigando a Mãe Terra e penalizando a vida de seus filhos e filhas.

Texto de Leonardo Boff. http://www.amaivos.com.br/

sábado, 4 de junho de 2011

SANTO PADRE JOÃO PAULO II



Há um mês, toda a Igreja celebrou a beatificação de João Paulo II. Mais de 1 milhão de peregrinos se reuniram na Praça São Pedro, no Vaticano, para participar da cerimônia que foi considerada uma das maiores da história da Igreja.


Um dos momentos marcantes foi a Vigília que antecedeu a Missa de Beatificação, no Circo Máximo de Roma. Cerca de 200 mil pessoas estiveram presentes para rezar e relembrar fatos marcantes da vida do saudoso Pontífice. Já na abertura da Vigília, um vídeo de João Paulo II falando aos jovens no jubileu do ano 2000 emocionou os participantes. E a noite prosseguiu com testemunhos de diversas autoridades que conviveram de perto com o Papa, entre eles o ex-diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé, Joaquim Navarro Vals, e o ex-secretário pessoal de João Paulo II e atual Arcebispo de Cracóvia, Cardeal Stanislaw Dziwisz.

Mas a grande festa mesmo aconteceu no domingo, 1º de maio, com a missa de beatificação. Após a leitura da fórmula que proclamou o novo beato, os fiéis reunidos na Praça São Pedro celebraram com uma salva de palmas, que se prolongou por vários minutos, e só foi contida a pedido, para que a Celebração pudesse continuar. A vibração e alegria eram nítidas entre os presentes, que aguardavam ansiosos por esse momento.

Na homilia, o Papa Bento XVI recordou que, embora a tristeza pela perda de João Paulo II fosse profunda no dia de sua morte, a sensação de que uma graça especial envolvia o mundo todo era ainda maior. 'Já naquele dia sentíamos pairar o perfume da sua santidade, tendo o Povo de Deus manifestado de muitas maneiras a sua veneração por ele. Por isso, quis que a sua Causa de Beatificação pudesse, no devido respeito pelas normas da Igreja, prosseguir com discreta celeridade', explicou.

Bento XVI destacou também que as palavras pronunciadas por João Paulo II na sua primeira Missa solene: 'Não tenhais medo! Escancarai as portas a Cristo!', foram primeiramente vividas por ele. 'Aquilo que o Papa recém-eleito pedia a todos, começou, ele mesmo, a fazê-lo: abriu a Cristo a sociedade, a cultura, os sistemas políticos e econômicos, invertendo, com a força de um gigante – força que lhe vinha de Deus –, uma tendência que parecia irreversível. Com o seu testemunho de fé, de amor e de coragem apostólica, acompanhado por uma grande sensibilidade humana, este filho exemplar da Nação Polaca ajudou os cristãos de todo o mundo a não ter medo de se dizerem cristãos, de pertencerem à Igreja, de falarem do Evangelho. Numa palavra, ajudou-nos a não ter medo da verdade, porque a verdade é garantia de liberdade. Sintetizando ainda mais: deu-nos novamente a força de crer em Cristo, porque Cristo é o Redentor do homem', salientou.

Alguns fatos interessantes da beatificação foram que, durante a Missa, Bento XVI usou uma casula e uma mitra que pertenceram a JPII e, também, utilizou o Cálice que o Papa Wojtyla usou nos últimos anos de seu Pontificado. A data escolhida para a festa litúrgica de João Paulo II - 22 de outubro - faz referência ao dia da primeira Missa de seu Pontificado.

domingo, 8 de maio de 2011

Carta do mês de maio de 2011

Muito amados irmãos e irmãs no Senhor gloriosamente Ressuscitado e a Ele semelhantes na morte e, também, na Ressurreição:

Assim como buscamos vivenciar fervorosamente os quarenta dias da santa Quaresma bem como a Santa Semana da Paixão, agora o Senhor Jesus, ressuscitado dos mortos, nos propicia as alegrias dos cinqüenta dias da Páscoa celebrada no último dia 24 de abril! Refletindo sobre em que fonte beber para partilhar nossas habituais reflexões mensais, lembrando este tempo de luz e de vida, penso tê-la encontrado atual, viva, oportuna e revigorante na VERBUM DOMINI (“A Palavra do Senhor”)[1] do Papa Bento XVI.

1. Viver a Ressurreição é viver o mistério da Cruz. Alimentado pelas “propostas[2]” dos Padres Sinodais, o Papa vai discernindo para o Povo de Deus o significado e os caminhos da Palavra no hoje da caminhada da história e da própria Igreja. Logo no início da Primeira Parte, encontramos O DEUS QUE FALA. É precisamente ali que está bem explicitada a identidade de Jesus com a Palavra do Pai: a Palavra do Pai é o seu próprio Filho.

No fascinante parágrafo 12, “Cristologia da Palavra”, nos deparamos com uma viva referência pascal à Palavra. Ao mostrar a vida do Verbo, Palavra do Pai, o Papa começa com a Encarnação: “O Senhor compendiou sua Palavra, abreviou-a (Is 10,23; Rm9, 28)... O próprio Filho é a Palavra, é o Logos: a Palavra eterna fez-se pequena; tão pequena que cabe numa manjedoura. Fez-Se criança, para que a Palavra possa ser compreendida por nós. Desde então a Palavra já não é apenas audível, não possui somente uma voz; agora a Palavra tem um rosto, que por isso mesmo podemos ver: Jesus de Nazaré”. Prosseguindo pela vida de Jesus, o texto chega à missão de Jesus que se cumpre no Mistério Pascal: “Por fim, a missão de Jesus cumpre-se no Mistério Pascal: aqui vemo-nos colocados diante da «Palavra da cruz» (cf. 1 Cor 1, 18).

A morte da Palavra na Cruz é mostrada como um silêncio dAquele que é a PALAVRA: “O Verbo emudece, torna-se silêncio de morte, porque Se «disse» até calar, nada retendo do que nos devia comunicar. Sugestivamente os Padres da Igreja, ao contemplarem este mistério, colocam nos lábios da Mãe de Deus esta expressão: «Está sem palavra a Palavra do Pai, que fez toda a criatura que fala; sem vida estão os olhos apagados d’Aquele a cuja palavra e aceno se move tudo o que tem vida». Aqui verdadeiramente comunica-se-nos o amor «maior», aquele que dá a vida pelos próprios amigos (cf. Jo 15, 13). Neste grande mistério, Jesus manifesta-se como a Palavra da Nova e Eterna Aliança: a liberdade de Deus e a liberdade do homem encontraram-se definitivamente na carne crucificada, num pacto indissolúvel, válido para sempre”!

Finalmente, depois dessas lembranças que chegam a emocionar, a VD chega ao mistério da Ressurreição!

1. Viver a ressurreição é viver na luz. Desde a noite do Sábado Santo – Vigília da Páscoa – a luz de Cristo brilha aos nossos olhos e ilumina a vida do cristão. Nessa noite, ao entrar na igreja com o Círio pascal já aceso, o diácono canta solenemente, por três vezes: “Eis a luz de Cristo”. Jesus já se havia identificado aos seus discípulos como a luz do mundo: “Eu sou a luz do mundo. Quem me segue não caminha nas trevas, mas terá a luz da vida” (Jo 8,12).

Nossa experiência diária de contato e imersão nesta nossa cultura cada dia mais longe da verdadeira luz, pois é regida por critérios sempre mais distanciados dos do Reino anunciado e testemunhado por Jesus e, por isso mesmo, tão obscuros quanto raramente o foram. Mais do que em qualquer outro tempo, portanto, o tempo pascal nos serve para lembrar que viver a Ressurreição de Jesus, é viver na luz. Ou melhor, com Ele, ser luz também: “Vós sois a luz do mundo” (Mt 5,14). Por isso, continuando o parágrafo anterior, lembra-nos o Papa na VD: “No mistério refulgente da ressurreição, este silêncio da Palavra manifesta-se com o seu significado autêntico e definitivo. Cristo, Palavra de Deus encarnada, crucificada e ressuscitada, é Senhor de todas as coisas; é o Vencedor, o Pantocrator, e assim todas as coisas ficam recapituladas n’Ele para sempre (cf. Ef 1, 10). Por isso, Cristo é «a luz do mundo» (Jo 8, 12), aquela luz que «resplandece nas trevas» (Jo 1, 5), mas as trevas não a acolheram (cf. Jo 1, 5).

Aparece aqui uma referência muito feliz a um Salmo dos mais significativos para nossa vida cristã: “Aqui se compreende plenamente o significado do Salmo 119 quando a designa «farol para os meus passos, e luz para os meus caminhos»; esta luz decisiva na nossa estrada é precisamente a Palavra que ressuscita. Desde início, os cristãos tiveram consciência de que, em Cristo, a Palavra de Deus está presente como Pessoa. A Palavra de Deus é a luz verdadeira, de que o homem tem necessidade. Sim, na ressurreição, o Filho de Deus surgiu como Luz do mundo. Agora, vivendo com Ele e para Ele, podemos viver na luz”.

2. Viver a Ressurreição é viver a “força criadora da Palavra de Deus” que proporciona “esperança e alegria”. Após vivermos os dias da Quaresma – só quem os viveu intensamente sabe o que isso pode ter significado na sua caminhada seguindo as pegadas do “Servo Sofredor” do profeta Isaias! – podemos sentir esta “força criadora da Palavra de Deus”. Criadora no sentido de, repletos da luz do Ressuscitado, colaborarmos para a criação de um “novo céu e uma nova terra” superando, assim, a corrupção e degradação que nos rodeiam. Depois de mostrar que no “Mistério Pascal realizam-se as palavras da Escritura”, a VD termina esse inspirado parágrafo ensinando-nos que “Deste modo São Paulo, transmitindo fielmente o ensinamento dos Apóstolos (cf. 1 Cor 15, 3), sublinha que a vitória de Cristo sobre a morte se verifica através da força criadora da Palavra de Deus. Esta força divina proporciona esperança e alegria: tal é, em definitivo, o conteúdo libertador da revelação pascal. Na Páscoa, Deus revela-Se a Si mesmo juntamente com a força do Amor trinitário que aniquila as forças destruidoras do mal e da morte”.

Um santo, alegre e iluminado tempo pascal, na companhia de Maria, a primeira ressuscitada com a Palavra, é o que, em nome do Grupo Executivo Nacional do MCC do Brasil, lhes deseja o irmão e amigo,



Pe. José Gilberto Beraldo
Grupo Sacerdotal do GEN
E-mail: beraldomilenio@uol.com.br

quinta-feira, 21 de abril de 2011

ASSEMBLÉIA DO GER

Aconteceu de 25 a 27 de março/2011, na Mansão da Paz Pai Bico em Conceição do Coité a XXIX assembléia regional do GER – GRUPO EXECUTIVO REGIONAL NE III – BAHIA E SERGIPE – com a finalidade de avaliar as atividades de 2010 e planejar as atividades para 2011.

A acolhida se deu as 13h30mim seguido de almoço. Logo após o almoço, para iniciarmos as atividades sistemáticas da assembléia, com a celebração Eucarística que marcou o inicio do evento sob a coordenação de Raimunda Crispim – coordenadora do GER, pertencente ao GED de Itabuna.

Com o tema “Que todos juntos nos encontremos unidos na mesma fé”, deu-se o início da ultima parte do tríduo – o AGIR – que levou-nos a refletir acerca do MCC no Brasil para que possamos celebrar com entusiasmo o jubileu no próximo ano (2012), corrigindo as distorções e retornando aos trilhos de onde nunca deveríamos ter saído!

A presença de Pe. Beraldo tornou o encontro mais rico, que juntou - se a outros sacerdotes da Bahia e Sergipe – doze – sem contarmos a presença do nosso Pastor, D. Ottorino , e uma rápida visita do nosso pároco Pe. Charles. As conclusões da assembléia serão do conhecimento de todos os cursilhistas atuantes mediante resumo da ata que será enviado para cada GED no momento oportuno.

segunda-feira, 11 de abril de 2011

CARTA MCC BRASIL ABRIL 2011 – (140ª.)

“Acaso ignorais que todos nós, batizados no Cristo Jesus, é na sua morte que fomos batizados?

Pelo batismo fomos sepultados com Ele na morte, para que,como Cristo foi ressuscitado dos mortos pela ação gloriosa do Pai,assim também nós vivamos uma vida nova.Pois, se fomos, de certo modo, identificados a ele por uma morte semelhante á sua,seremos semelhantes a ele também pela ressurreição” (Rm 6,3-5).

Muito amados e amadas que, juntos, nesta peregrinação quaresmal rumo à Páscoa, cantamos com o Salmista, “peregrinos e felizes caminhando para a casa de Deus”, alimentados pela esperança, gritando: “A minh’alma tem sede de Deus e deseja o Deus vivo. Quando terei a alegria de ver a face de Deus? (Cf Salmo 41):

Sempre fortalecidos pela ação inspiradora do Espírito Santo e animados pelo seguimento de Jesus como discípulos missionários dEle, chegamos à nossa centésima quadragésima carta mensal. São elas dirigidas, primeiramente, aos participantes do Movimento de Cursilhos do Brasil. Graças, também, à generosidade e colaboração de tantos irmãos e irmãs, ela tem chegado, tanto em português como em espanhol, a milhares de outros companheiros e companheiras de jornada não só do MCC, como na peregrinação comum da vida dos seguidores de Mestre. Como sabem os que acompanham estas cartas, escritas em nome do Grupo Executivo Nacional do MCC do Brasil, elas trazem um conteúdo que não visa particularmente o Movimento de Cursilhos, mas, a quem por elas se interessa, querem oferecer elementos para reflexão de temas propostos, naquele mês, pela própria Igreja ou, então, de importantes Documentos do Magistério eclesial. Todas elas veem encabeçadas por uma citação bíblica, pois é na Palavra, autêntica fonte da água que sacia todas as sedes – “Todo aquele que bebe desta água terá sede de novo. Mas quem beber da água que eu lhe darei, esse nunca mais terá sede, E a água que lhe der se tornará nele uma fonte de água pura que jorra para a vida eterna” (Jo 4, 13-15) – que procuramos alicerçar, às vezes ainda que indiretamente, nossas reflexões. A esse direcionamento preside a intenção de não só atingir as pessoas, mas, também, a de ajudar no enriquecimento do Movimento na prática do seu carisma e nos esforços para alcançar seus objetivos: mostrar que a pessoa é objeto do amor de Deus; oferecer a essa mesma pessoa contínuas oportunidades de um encontro com Cristo vivo que a envia para exercer sua missão de ser fermento, sal e luz no seu ambiente natural, testemunhando ali, com sua vida e unida com outros irmãos e irmãs, numa verdadeira comunidade de fé, os valores e critérios de Jesus; ser, enfim, no seu ambiente, verdadeiro discípulo missionário do Senhor.

Para este mês, ainda quaresmal no seu início e luminosamente pascal no seu término, proponho dois pontos centrados nessas importantes celebrações.

1º ponto. Semanas finais da Quaresma (4ª. e 5ª. e Semana Santa). Ao iniciar o mês de abril, estaremos, ainda, num clima de preparação para celebrar a maior festa da nossa fé, a Páscoa. Primeiramente, deveríamos nos examinar se, até aqui, vivemos de verdade a proposta do jejum, da abstinência e da esmola ou da solidariedade, que é como podemos entender a “esmola” nos dias de hoje. Bem nos disse o Profeta Joel, na Quarta-feira de Cinzas: “Agora, diz o Senhor, voltai para mim com todo o vosso coração, com jejuns, lágrimas e gemidos; rasgai o coração, e não as vestes; e voltai para o Senhor, vosso Deus; ele é benigno e compassivo, paciente e cheio de misericórdia, inclinado a perdoar o castigo” (Jl 2,12-13). “Voltar ao Senhor” não exige outra atitude de cada um e cada uma de nós, senão a de recomeçar a cada dia, a cada instante da vida. Devido às nossas naturais limitações humanas, inclinados que somos à acomodação, à preguiça, ao conformismo com as nossas pretensas vitórias – ainda que não apareçam... – e ao “já feito”, nossa tendência, via de regra, é não enfrentar e assumir o novo a cada dia; é “deixar como está pra ver como é que fica”, ou dizer para si mesmo: “já fiz muito, agora chega...”! Meu irmão, minha irmã: voltemos à Quaresma, voltemos ao espírito, à proposta e, sobretudo, à prática da Quaresma, esse tempo privilegiado de anseio pelo abraço do Pai misericordioso; tempo precioso de preparação para a Ressurreição, portanto, para, de novo, saborearmos e vivenciarmos a festa da Vida nova em Cristo. Para isso temos, ainda, algumas semanas: aproveite-as! Continue seu exercício quaresmal. Dê uma pausa na sua vida. Leia atentamente todo o Capítulo 53 de Isaías. Ponha-se no lugar daquele Servo Sofredor! Coragem! Ânimo!

2º ponto. Páscoa da Ressurreição de nosso Senhor Jesus Cristo. É a celebração maior da nossa vida de discípulos missionários de Jesus, pois foi a celebração maior da vida do Filho de Deus feito homem e irmão de todos nós nessa aventura da vida na terra. Durante toda a sua vida pública Jesus preparou seus seguidores para esse momento – não pensassem eles que a missão do Mestre deveria esgotar-se com a proclamação de um reinado terreno sendo ele o Rei supremo. Nada disso. Mostrou-lhes, antes, o sofrimento e a cruz. Não se iludissem, sonhando com algum “ministério” como recompensa por terem deixado tudo e seguido seus passos: “Olha! Nós deixamos tudo e te seguimos. Que haveremos de receber?” (Mt 19,27). A recompensa foi e continua sendo para nós, seus fiéis seguidores, muito maior, indescritível, misteriosa e, sobretudo, verdadeira e, por isso, carregada de esperança. Ou, neste nosso tempo consumista, na cultura que respiramos, numa sociedade pessimista e sonhadora apenas com a riqueza material, com os bens transitórios resumidos em mansões maravilhosas ou em carros do último grito ou, especialmente, numa gorda conta bancária, ou num futuro chamado de “promissor”, não seria nisso tudo que estamos depositando nossas esperanças? Mesmo sabendo e experimentado que tudo isso é transitório? Por quê? Não é verdade o que a nossa fé nos diz quando ensina que, um dia, todos ressuscitaremos com Cristo? É Ele quem afirma: “É esta a vontade daquele que me enviou: que eu não perca nenhum daqueles que ele me deu, mas os ressuscite no último dia. Esta é a vontade do meu Pai: quem vê o Filho e nele crê tenha a vida eterna. Eu o ressuscitarei no último dia” (Jo 6, 39-40). E num confortador momento da Primeira Carta de São Paulo aos Coríntios ele nos ajuda na certeza da nossa própria ressurreição ao afirmar, enfaticamente, sobre a ressurreição dos mortos: “E se Cristo não ressuscitou, a vossa fé não tem nenhum valor e ainda estais nos vossos pecados” (1Cor 15,17). E, ainda, tratando da esperança cristã, Paulo não se refere a nenhuma “reencarnação”, isto é, a inumeráveis manifestações (ainda que pareçam momentaneamente muito consoladoras!) dos que já morreram. Infelizmente, até muitos católicos, contrariando a fé do seu próprio batismo, andam acreditando na vã esperança de ver e falar com espíritos de mortos eternamente reencarnando-se, quando é muito mais confortador crer num Cristo vivo que com Ele nos ressuscitará no último dia. Por isso, São Paulo conclui: “Se é só para esta vida que pusemos nossa esperança em Cristo, somos, dentre todos os homens, os mais dignos de compaixão” (1Cor 15,19).

Com meu abraço fraterno, uma feliz e santa Páscoa, toda iluminada pela esperança no Ressuscitado e, sobretudo, vivenciada no seu dia a dia, é tudo o que, neste momento e do íntimo do meu coração sacerdotal, eu posso desejar, em nome do Grupo Executivo Nacional do MCC do Brasil, a todos os queridos irmãos e irmãs, fieis leitores desta mensagem mensal.



Pe. José Gilberto Beraldo
Equipe Sacerdotal do GEN